domingo, 4 de julho de 2010

Finais e/ou oportunidade de Novos Re-começos

Olá queridos leitores.

Atualmente, fico cada dia mais surpreso com a quantidade de documentários na televisão que versam sobre uma possível hecatombe mundial prevista para 21.12.12. No início, procurava assistir alguns apenas para me manter informado sobre o que pensam 'aqueles que não tem o que pensar'.

Entretanto, tanto se proliferou esse tipo de teoria que acabou se tornando monótono e cansativo tais tipos de documentários. Acredito inclusive que, se estivesse ao alcance de tais profetas niilistas tal possibilidade, eles certamente lutariam para que ela lograsse êxito já que aparentemente não obtiveram no restante de suas vidas outra espécie de empreendimento bem sucedido.

Parece fazer parte da humanidade um desejo tão grande pela 'imortalidade material' que o simples fato de uma possível perda desse 'status quo' faz com que cessem todas as idéias razoáveis dando lugar a uma espécie de frenesi apocalíptico (com todo o respeito a esse gênero literário) que nos atira num turbilhão de possibilidades nefandas onde cada um pode sonhar com o tipo de fim mais aprazível (se é que se pode sentir prazer com algo assim).

Isso passa a ser muito visível atualmente, haja vista o grande sucesso das franquias vampirescas nos meios de comunicação. Nada mais do que uma metáfora do ensejo humano pela imortalidade, curiosamente não daquilo que ontologicamente foi criado para ser imortal (nosso espírito), mas do que foi criado justamente para ser efêmero (beleza e vigor físicos e posse de bens materias).

Acredito que por causa dessa inversão da concepção do que realmente deve fenecer em detrimento de outros atributos que devem permanecer, essa geração, assim como os próprios vampiros, é tão infeliz em suas vida mortal-imortal, como o similar conde Fosca, de Simone de Beauvoir, o era. Eles imortalizam o que de pior existe no homem e, não digo matam, porque não o podem, mas ofuscam a luz do que em nós é eterno.

Não sei se influenciado por isso, pois todos o somos um pouco, ou por mero acaso do destino também presenciei tantas conclusões em diversos aspectos da minha vida pessoal, que me veio a mente tentar refletir um pouco sobre essa temática dos finais. Existem finais? Eles são necessários? Existe um depois? Vale a pena pensar nisso?

Fechei, recentemente dois ciclos em minha vida, um relacionamento de quase 4 (quatro) anos e o trabalho numa empresa privada 2 anos e 4 meses. Após passar por isso de forma bastante consciente e controlada (como todo bom jogador de xadrez deve fazer na vida) percebi que os finais existem e devem existir. Eles são portas com as quais concluímos estágios no nosso desenvolvimento pessoal; sendo, imprescindíveis para os novos ciclos que se iniciam.

Cada etapa tem que ser cuidadosamente finalizada, caso contrário a posterior fica comprometida. Acredito que na vida humana em sua plenitude a morte cumpra esse papel de finalização de uma grande jornada, necessária para o início de outra mais incrível ainda. Por isso, nessa é necessário abrir a mente para aprender novos ofícios e libertar o coração para amar outras pessoas. Quando isso acontece conosco faz com que a vida se renove e mostre quão rica é, e como dom precioso para cada um de nós consiste.

A cerca de uns oito dias, recebi a notícia também de que um padre foi suspenso de ordem e se encontra isolado em depressão. Essa pessoa foi minha contemporânea na época do seminário. Ela foi uma das responsáveis por um grande sofrimento e humilhação por que passei. Rezei muito por ele essa semana. Está a experimentar uma das finalizações mais dolorosas que podem existir na vida humana (não que seja má de todo como refletimos acima).

Difícil para mim foi como homem que sou, finito e imperfeito, afastar de todo do meu coração alguma dose de certo prazer por isso. Mas vejo que essa finalização dele também foi positiva para finalizar em mim o que sentia por ele. Ao rezar e pedir a Deus que o console, quando ele mesmo teve a oportunidade de ajudar-me e não o fez, trouxe equilíbrio e harmonia ao meu espírito. O jogo foi empatado.

Muita força meu irmão, que Deus possa ser para ti a maior das suas consolações e enxugue todas as tuas lágrimas. Ele que fica imensamente feliz quando nos voltamos para ele. Já que tal alegria é por Ele comparada ao encontro de uma moeda, ou ovelha perdidas. Tu que na tua missão afastaste dele teu coração paras as coisas que para ti eram proibidas, vê agora como sábio é o salmista quando no adverte que: 'Qui amat periculum in illo peribit'. Portanto, Nele te ampara e Nele permaneça.


Bom domingo a todos.






sábado, 15 de maio de 2010

Descobri que Dor nas Costas pode ser algo "Maravilhoso"

Hoje estou com tanta dor nas costas que agora sei o significado da imortal frase do doutor House (que também é atormentado por terríveis dores na perna) quando o mesmo diz: 'sou fisicamente incapaz de ser gentil'. De forma que tenho amaldiçoado tenazmente todos aqueles que me tem feito levantar à toa nesses últimos dias. Fui agraciado pelo lado paterno com um problema de reumatismo terrível. Desde os seis aos de idade que comecei a sentir. Entretanto, era bem mais ameno do que hoje em dia. Ah mamãe se você tivesse traído meu pai,... seria capaz de ficar feliz com isso, rsrsr. Brincadeira.

Aproveitando a minha condição, pensei que era o momento oportuno de voltar a fazer uma postagem no meu blog. Esse companheiro tão fiel, sempre presente. E que tema melhor para se refletir do que a gentileza, a cortesia, a arte de se fazer amável diante dos outros. A frase é proposital sim, pois, se fazer amável, é completamente diferente e bem mais fácil do que ser verdadeiramente amável.

Vocês já pararam para observar que geralmente as pessoas fora dos padrões físicos ou intelectuais impostos pela sociedade, ou mesmo aqueles que não têm muito o que oferecer (por favor não me entendam mal, quando digo oferecer é no sentido de escambo social, ou seja, influência, bens, ..., e não no sentido humano-espiritual da coisa, pois todos nós somos prenhes de coisas maravilhosas a ser oferecidas), são os que dominam a verdadeira arte da gentileza, da cortesia, do 'se importar' com o outro.

Usando a linguagem da série 'supernatural' (que eu adoro e que terá um sexta temporada graças a Deus) essas pessoas são os receptáculos da doçura divina, como eu as invejo, rsrsrsrs, nunca fui verdadeiramente capaz de expressar tal sentimento em sua totalidade.

O mais triste é que esses pessoas apenas refletem para nós a forma como realmente gostariam de ser tratadas, ao mesmo tempo que silenciosamente denunciam a crueldade que lhes é imposta todos os dias, de forma imperceptível para nós, mas bastante tangível para eles.

Mais uma vez preciso recorrer a lembranças de um santo passado, para expressar a complexidade do assunto. Para aqueles que dizem: De novo, quero deixar algo bem claro.

Queridos, o passado não existe, ele nem sequer é passado. Ele está sempre presente nas marcas deixadas na nossa alma, ou psiquê como queiram entender.Por isso sempre gosto de colocá-lo no seu lugar de evidência, fugindo das fórmulas fáceis tipo: 'o tempo cura todas as feridas'. Feridas cicatrizam, mas essas marcas permanecem na parte atingida. Como a natureza é sábia em expressar por processos biológicos as verdades espirituais. Por isso sempre apresento as marcas indeléveis que carrego ou que presenciei. O Cristo ressuscitado permaneceu com as dele, porque eu seria mais bem aventurado que Ele?

Certa feita, eu estava um pouco entediado, sem ter o que fazer no seminário. Então dois seminaristas me convidaram para sair. Não vou descrevê-los fisicamente. Eles pertenciam a diocese (para os que não sabem é a divisão territorial da igreja, que atua num universo paralelo, tipo matrix, e não num Estado com uma divisão política oficial) que possuía o maior número de seminaristas na época. A Diocese onde aparentemente todos se amavam. Eu morava lá sozinho, era único. O que tinha suas vantagens não posso negar e o tempo veio comprovar. Bem, mesmo assim, sempre gostei de ter companhia para sair e conversar.

Fomos então a uma pastelaria que ficava próximo. Conversamos sobre muitas coisas e sem querer perguntei: 'Por que vocês não foram com os outros hoje ao shopping?'. E aí eles me disseram: 'Márcio, nós somos excluídos. Eles nunca nos chamam para sair juntos'. 'Aquilo é só aparência'. Nesse momento fiquei sem jeito e mudei o assunto.

Um deles saiu e casou anos depois. O outro foi cruelmente colocado para fora da sua diocese. Com uma rápida manobra consegui colocá-lo dentro da minha diocese e hoje ele é padre. Até onde sei um bom padre. Sinto-me feliz em ter feito isso. Embora não fosse muito próximo a ele. Acho que por isso mesmo foi válido.

Isso me chamou a atenção e passei a observar que os mais jovens, inteligentes e belos sempre estavam em grupos homogêneos. E que os que fugiam a esse padrão eram, digamos, elegantemente, percebidos com menor evidência. Se conseguiam pelo menos ser engraçados, tipo il pagliacci, passavam a orbitar como satélites esses grupos. Hoje percebo como isso é verdade, mas não só lá, no mundo em geral. O que é escadaloso é que lá não deveria ser assim, era para ser o contrário.

Outro santo exemplo de gentileza, é do padre 'maravilha'. Trata-se de um indivíduo (estou sendo homericamente amável em denominá-lo dessa forma, saiba, se um dia vier a ler, que deletei dezenas de outros vocábulos até santamente selecinar esse, pois você entre todos é menos digno de misericórdia) que teve a sorte de ser apadrinhado por um dos incautos santos bispos, que além de elevá-lo aos louros do sacerdócio, ainda propiciou para o mesmo uma magnífica temporada na europa com direito a pós graduação, ..., enfim, o pacote completo.

Esse cara me tratava super bem na época de seminário. Chegava a me bajular realmente, não que eu fosse coisa do outro mundo, mas bajular era algo inerente para com todos que partilhavam o seu universo eclesiástico cheios de títulos de nobreza (acredito que ele plantava lisonjas na esperança de no futuro colher favores, era um prelado previdente não há de se negar). Como o professor Horace Sloughorn do Harry Potter.

Inteligente não, no mínimo esforçado. Queria ensinar toda e qualquer disciplina que lhe caísse nas mãos, não sei ao certo se gostava narcisisticamente de ensinar para ouvir a própria voz 'maravilhosa' ou se era por necessidade financeira mesmo.

Certa feita fui visitá-lo. Cheguei à paróquia em que atuava como vigário (sim, vigário, pois pároco só se o bispo enlouquecesse, ou o maravilha quisesse se matar, rsrsr) por volta das dez da manhã. Impagável a cara de sono do mesmo. Disse estar estudando. Conta essa pro otário que pagou tua faculdade (e já morreu até, Deus o tenha, era uma boa pessoa), mas pra mim não violão. Sei o que é cara de sono de preguiça.

Enfim, quando saí do seminário fui lá falar com ele. Na esperança de algum apoio (depois esclarecerei as circunstâncias e motivos reais que farão com que todos entendam isso melhor). Que transformação, a máscara finalmente caiu. Não se deu nem ao trabalho de esconder a vontade de encerrar a conversa e me entregar a própria sorte. Talvez fosse perigoso ajudar alguém que saiu do seminário, o que os outros poderiam pensar. Agora, pergunte se não procurou ao máximo perscrutar sobre minha vida pessoal a fim de saber o que aconteceu para depois poder falar e emitir juízos sobre mim?

Obrigado padre, muito obrigado mesmo. Eu acreditava em você, até gostava de você e procurava entendê-lo. Até defendia você dos ataques que muitos lhe faziam pelas costas. Sabe, agradeço mesmo a Deus, não ter me concedido esse "dom da gentileza" que você tem. Acredito que sou mais feliz com as dores nas costas e o fato de ser grosso mesmo. Afinal, o autor sagrado já nos adverte que é preferível estar no sopé da casa do Pai Divino (que você tanto gosta de invocar) a estar na glória da mansão dos idiotas (paráfrase nossa).

Bom Final de Semana a Todos.











domingo, 9 de maio de 2010

Visitantes

Ontem, um dos meus colegas de seminário, conversando rapidamente (novidade) comigo, elogiou minha postagem que contém uma reflexão sobre as visitas de superiores religiosos. Disse ele ser bom que as pessoas emitam suas visões a respeito de determinadas posições e apresentem também sugestões tal como fiz. Gostaria de agradecer pelo comentário ao vivo. Nas próximas visitas, tanto suas como de outros amigos, gostaria de ver algum comentário escrito; pois, assim, poderei direcionar melhor o meu trabalho. Dificilmente tenho tempo para escrever.

Atualmente, observando o caminho seguido pelos blogs mais visitados na internet (inclusive por mim mesmo) percebo que sempre procuramos neles alguma coisa que possamos ficar para nós. Sejam coleções de cds de música erudita, ou filmes antigos, seriados, ... Todos buscamos alguma coisa que possamos guardar de certa forma como integrante da nossa individualidade e a ela preciosa.

Fico feliz de certa forma, pois como não ofereço nenhum brinde que possa ser 'baixado' é bom saber que somos visitados. Ontem mesmo recebi outra visita, essa mais pessoal. Uma equipe de uma emissora local veio fazer uma matéria sobre a minha criação de animais. Ela deverá ser exibida em breve. Quando souber a data colocarei com mais detalhes para que possam participar da minha alegria em ver meu trabalho reconhecido e divulgado na mídia.

Seria bom, que as pessoas cultivassem mais em nosso mundo o hábito de visitar uns aos outros. Não falo de visitar por visitar, nem das famosas 'visitas de médico' mas sim naquela forma especial de encontro-reencontro em que sentimos que alguém participa da nossa intimidade, através da simpatia, aceitação, cumplicidade.

Sempre procuro escrever com responsabilidade nesse blog, a fim de não cometer impropriedades, sejam elas literárias ou mesmo de caráter. No pouco tempo de vida que tenho, testemunhei muita coisa mesmo. Nem todos ficaram felizes em ver essas lembranças publicadas aqui. Acho que por isso escrevo pouco, pois procuro deixar que apenas alguns momentos apareçam, é melhor e menos doloroso que assim seja. Entretanto, advirto, para aqueles que entenderem tudo aqui está escrito.

Vou encerrar falando justamente sobre o tema que surgiu hoje 'visitas'.

Geralmente, sou visitado com muita regularidade pelos amantes da gatofilia, ou por clientes que desejam adquirir um filhote para criar. Alguns amigos, os de verdade, descobrem formas curiosas, físicas e metafísicas de sempre estar presente em nossas vidas. Os falsos amigos procuram imitar; porém, quando diante de pessoas com personalidade, e inteligência suficiente, não conseguem esconder o seu embuste.

Quando tomava conta do rebanho a mim destinado, numa pequena comunidade do interior cearense cheguei a visitar regularmente cerca de 36 pessoas enfermas. Lembro-me de que na realidade elas é que me visitavam, pois tinham tanta vida interior, tanta riqueza humana que completavam muito do meu estéril coração, alimentado somente pela doutrina dos santos estéreis. Eu me alimentava de sua fé, de sua alegria, da riqueza de suas vidas e tentava retribuir escutando, contando anedotas e oferecendo um pouco de mim mesmo. Não gostava muito de doutriná-los ou rezar com eles, isso eles sabiam fazer melhor do que eu.

Ao me achar fora da 'sombra da salvação' (pois acredito que a glória reservada ao homem por Deus seja bem mais clara do que me mostraram os mestres do mistério) sempre senti em meu coração a visita constante daquelas 36 pessoas, a me confortar e dar esperança de uma vida melhor. Daquelas pessoas, que, mesmo sabendo que não haveria mais retorno, conseguiam agradecer o dom da vida e sorrir para ela. Elas me visitam todos os dias. Já 'os outros', vamos dizer que bienalmente um ou no máximo dois realizam um check up afetivo (usando um termo mais técnico-pastoral, uma desobriga).

Eu compreendo, perfeita e sinceramente, pois não se pode dar aquilo que não se tem, e como o bardo imortal Shakespeare nos diz pela boca do Rei Lear 'Nada virá do nada'. Seria, portanto, no mínimo quixotesco esperar que criaturas forjadas sob a doutrina acrisolada do incauto Papa Bento XVI - que, pasmem, inaugurou seu pontificado com uma encíclica sobre o amor (ninguém pode negar que o diabo não tenha senso de humor) - fossem capaz de atitudes diversas.

Acho até que me excedi um pouco, rsrsrsr, mas alguém com o coração fecundo de amor como ele saberá perdoar. Afinal, temos duas coisas em comum, duas paixões que movem nossas vidas, caso ele não saiba, criamos gatos e tocamos piano. Como falei anteriormente o senso de humor do diabo é deveras surpreendente, rsrsrsr.

Um abraço a todos os visitantes. Voltem mais vezes.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Férias: uma reflexão benevolente.

Olá queridos leitores e amigos!

Já faz algum tempo que não escrevo nada aqui nesse espaço virtual. Pelo título, como podem induzir estou gozando férias, merecidas férias, rsrsrsrs. Aproveito esse tempo livre para alimentar o corpo com muitos exercícios físicos e a mente com muita música de boa qualidade e filmes antigos (adoro os grandes atores e atrizes que ajudaram a escrever a história do cinema, principalmente o saudoso Alfred Hichtcook, grande diretor e 'o homem que sabia filmar'.

Entretanto, durante esse período acabei por lembrar de férias, não minhas, mas de outros que me marcaram muito negativamente. A propósito, acho que ainda não tinha aproveitado o espaço do blog para relatar algumas das minhas antigas lembranças (antigas, mas extremamente ricas em detalhes, pois 'os elefantes jamais esquecem'), principalmente quando feridos.

Como sei que os covardes jamais suportam contemplar suas mentiras e atitudes medíocres, terei, como advogado que sou a prudência e benevolência de não os expor, como fraudes que são e que deveriam ser expostos. Dessa forma, omitirei quaisquer detalhes passíveis de expor 'a dignidade dos indignos'. Mas acho que apreciarão a leitura.

Como falei no primeiro post fui seminarista durante o período de 7 longos e difíceis anos. Vou relatar um dos fatos que hoje recordei e que fiquei a refletir. Lá vai ...

Estávamos no final da década de noventa (ano prudentemente omitido a fim de poupar neuróticos), mas especificamente na alta estação para os europeus - porque para nós era um período absolutamente normal de trabalho. Havia muita correria na casa de formação, pois estaríamos recebendo naqueles dias a visita do novo padre provincial. Muita comida sendo comprada (e não qualquer comida, pois de acordo com o reitor eles só comem comida 'boa e bem feita' sua pobreza não é brasileira, mas sim equânime ao seu país de origem (prudentemente omitido a fim de se evitar paranóias). Muitas instruções para a cozinheira, sem falar para nós, os formandos, ensaios de salmos (que geralmente nunca saiam bem cantados, mas quando aparecia esse tipo de visita tínhamos que ensaiar até a exaustão para cantar direito), limpeza redobrada de todo o ambiente da casa de formação; e tudo isso debaixo de críticas perenes do superior, um cara super esnobe (que nasceu pobre e depois ficou besta) que passava o dia sentado numa mesa estudando (fazendo faculdade privada, paga pela Igreja) e fazendo os outros marcharem.

Bem, mas continuemos com nossas santas férias: chegam nossos convivas, sim, pois eram dois, um sempre anda com o outro, no princípio pensava que era uma atitude nobre de alguém que teria vindo ocasionalmente para ajudar o amigo que não dominava o português ainda. Posteriormente descobri que o provincial anterior viaja em todas as 'visitas' que o novo superior fazia justamente para fazer política e comprar o apoio das outras casas com presentinhos tipo um novo portão, uma máquina de xerox, ..., tiro o meu chapéu, pois ele obteve sucesso em sua empreitada, pois posteriormente voltou a ser provincial. Na realidade ele deveria ser padre providencial, essa denominação seria mais correta.

Sempre muito simpáticos, muito falantes (esse é outro ponto interessante, os mais antigos fizeram seus estudos na europa, lá chegando aprenderam novos idiomas, fizeram novas 'amizades', em seguida voltaram ao Brasil para assumir cargos superiores de responsabilidade. Os outros, que vieram a ser fisgados não estudavam fora. "Não, lá fora não é bom, é outra cultura, sofremos muito lá, ..." eles nos diziam. Engraçado, quando os outros chegavam, os figurões, eles manipulavam as conversas (faziam o lobby mesmo) enquanto ficávamos como um bando de nativos burros olhando e sem entender nada. Até na mesa, o que eu achava uma falta de educação e uma humilhação). Se pedíamos uma oportunidade para estudar fora, eles diziam não, um dia vocês irão também, mas apenas para fazer um curso de três meses que sempre fazem lá. Amigos, eles encontraram as portas abertas e quando se fizeram fecharam para os demais, medo da concorrência talvez.

O mais engraçado (se é que esse tipo de coisa pode ter alguma graça) é que durante o período das visitas as funções deles se limitavam a ir para o Beach Park (amigos eu ainda hoje nunca fui a esse lugar, é caro, muito caro mesmo, pelo menos para quem vive de salário mínimo no Brasil), visitar famílias abastadas que preparavam suntuosos banquetes, recebendo em troca um punhado de bugingangas ordinárias que eles traziam consigo (coisa tipo metrópole-colônia). E sem falar num ponto mais delicado ainda. O pessoal do estrangeiro ainda tem um costume de mandar gordas doações (em moeda estrangeira) para que se celebrem missas para seus parentes. Dessa forma Jambo e Ruivão (é melhor criar um apelidro para deixar a coisa mais fofinha) traziam uma boa quantia desse tipo de espórtula. Amigos teologicamente qualquer missa celebrada todos os dias já traz a intenção de todos os fiéis falecidos, e, embora esse tipo de prática, teologicamente sem sentido ainda seja incentivada hoje, eu nunca vi esses nomes serem colocados para nós (já que ele trazia uma lista com os nomes escritos). Eles os chamam de benfeitores. Ora, quer dizer que o objetivo é 'traficar o nome de fiéis'? Eles não podem rezar por lá não rsrsrsrs? Pra que esse dinheiro então era doado para nós?

E pra finalizar ainda faltam as fotos. Nós éramos fotografados direto por eles em todos os momentos, principalmente enquanto realizávamos algum trabalho manual. Eles usavam a imagem da gente pra angariar madrinhas e padrinhos estrangeiros pra bancar nossos estudos (Meu Deus, que vergonha, quanta gente boa no Brasil não tem acesso a estudo e a gente estudando por conta dos outros. Quando poderíamos trabalhar para isso, seria até melhor, já que quando saíssemos, por desistência espontânea ou forçada, não ficaríamos devendo nada a ninguém e já poderíamos continuar em nossos empregos e não passar necessidade pra entrar no mercado de trabalho). E nós éramos proibidos de saber quem eram. Somente se nos ordenássemos (por medida de segurança talvez). Agora me pergunto e quando desistíamos ou éramos expulsos será que essas pessoas eram avisadas? Ou continuavam com o afilhado virtual? Vejam isso é só especulação, pode ser que eles agissem direito, eu espero que sim pelo menos nesse aspecto. Caso contrário Deus tenha piedade da alma deles.

Essas férias aconteciam duas vezes por ano. Não vi nunca esse pessoal visitar uma favela. Nem fazer confissões ou atendimentos espirituais aos fiéis mais humildes. Gostaria de ter visto algo diferente, ou uma missão popular. Naquela época, infelizmente fui conivente, pois não questionei, achava que eles tinham direito em fazer isso porque eram melhores que nos. Até o dia em que quase tive minha vida e de minha família destruída por essas pessoas. Então vi que lidava com pessoas muito perigosas mesmo. Capazes de tudo para manter uma aparência etérea.

Que bom que hoje vivo férias bem mais saudáveis que essas. Aproveitem a de vocês meus amigos também. Principalmente para refletir, e pensar, esse nosso mundo só se encontra assim porque o homem tem esquecido de pensar e escutar. Um abraço e até a próxima.

domingo, 20 de setembro de 2009

Amigos da Onça!!!

Boa tarde minha gente!

Gostaria de falar de um assunto muito sério: o atendimento prestado pelos planos de saúde. Na empresa em que trabalho tenho a árdua tarefa de acompanhar aos hospitais de referência da nossa grande Fortaleza os empregados que por um motivo ou outro sofrem alguma espécie de mal estar durante o exercício de sua jornada laboral.

Na maioria das vezes (como eu gostaria que fosse menos rsrsrs), até por questões geográficas dirijo-me ao Hospital Antônio Prudente (a 'grande colméia' onde aquelas abelhinhas da propaganda pedem para que as deixemos cuidar de nós); pois bem, desejo falar exclusivamente do atendimento tanto dos recepcionistas como dos clínicos gerais, pois ainda não tive o 'privilégio' de ser atendido pelos 'especialistas'.

Mas, antes de relatar o problema, lembro um fato que deve ser observado e refletido: o código de ética dos médicos sempre ressaltam o bem estar e o cuidado que devem ter para com o 'paciente'. Meu ponto de tensão reside nesse pequeno vocábulo. Ao usar o termo paciente e não pessoa, cria-se uma implicação de contrato de prestação de serviço e não de um laço humanitário em virtude do ofício. Diga-se de passagem um nobre ofício, mas cujo objeto tem sido usado como forma de barganha para aumento salarial (bem mais freqüente que nas demais categorias profissionais - tão nobres como a medicina).

Pois bem, nem assim a gente escapa, pois no questionável capitalismo, aprendemos desde crianças nos célebres desenhos da Disney (em que o Pato Donald trabalha ora em um hotel, ora em uma loja de departamentos três grandes verdades: que os salários sempre são baixos, o trabalho sempre é extenuante, e que O CLIENTE SEMPRE TEM RAZÃO, por mais grosso que seja). É o que se pode chamar de consolo pedagógico.

Mas não é assim que funciona na 'grande colméia', pois embora seja uma empresa privada, que atenda aos clientes vinculados às taxas dos 'planos de saúde' , nós (pois também eu já fui submetido ao mesmo tratamento) somos tratados de duas formas básicas: ou com uma frieza digna do terceiro reich (essa fica por conta dos médicos) ou com grande estupidez (na sala de espera pelos atendentes). Acho que é pra não estranharmos o tratamento dos doutores.

E não se atreva a questionar, ou o indivíduo do plantão da tarde talvez parta para as vias de fato. Público já tem, e talvez na hora alguém recolha as apostas. Sorte sua se ganhar.

Minha gente, não gosto de fazer isso sabe, pois criticar além de extremamente fácil é algo muito arriscado; mas realmente não dá mais, alguém tem que tomar uma atitude em relação a isso. Nós cearenses somos famosos pela hospitalidade e cordialidade para com os turistas. Por que submetemos nós mesmos a esse tipo de tratamento? Lanço esse post como uma reflexão e um apelo tanto a comunidade dos empregados dos hospitais como aos profissionais da saúde. Boa semana para todos.

P.S.: Nesse post não coloquei fotos. Seria abusar e como o posto é dedicado a família decide guardar minha inspiração pictográfica para outras temáticas mais divertidas e familiares.

domingo, 6 de setembro de 2009

XX Exposição Internacional de Gatos de Raça!!!

Boa Tarde Pessoal!

Como havia mencionado no post anterior sou criador de gatos de raça. Bem, eu somente não, trabalho junto com meu sócio, Walter Sales. Sem me deter em tecnicismos, apenas informo que trabalho três raças Persas, Exóticos e Himalaios. Quem desejar mais detalhes pode visitar o nosso site: www.gatilperola.com.br .


Mas enfim, esse ano foi especial. Comemoramos os vinte anos de fundação do Clube de Criadores de Gatos do Ceará, CeGaCe. Foi a nossa terceira exposição, a segunda enquanto expositores. Surpreendo-me com a rapidez de resultados que alcançamos. Ano passado conseguimos o título de best of the best filhote (nossa gatinha himalaia Lilly):





Já esse ano, ganhamos na categoria melhor gato adulto de criação nativa aqui do Ceará. O felizardo foi nosso Exótico Silver Tygger. Vejam que maravilha:





Esse gato deixou pra trás muito gato bom viu. Um dos descendentes dele é um gato canadense que chegou a ser campeão mundial. A participação dele foi surpreendente e miraculosa. Vocês não imaginam a odisséia que permeou a vinda desse gato para nossa criação. Mas como diria Júlio César: 'Vi, veni, vici'

Um abraço a todos e boa semana, pois ainda estou cansadíssimo da exposição rsrsrsr!!!!!




domingo, 30 de agosto de 2009

Apresentações



Sobre o Título:

Em minha vida sempre procurei observar as pessoas, compreendê-las e aprender com elas. Isso fez com que sempre fosse procurado para opinar sobre os mais variados assuntos. Por isso, na tentativa de aperfeiçoar meus conhecimentos de relacionamento inter pessoal e ajudar aqueles que sofrem espiritualmente procuro sempre ser um mediador entre os homens. Mas meu objetivo está longe de simplesmente ser uma espécie de conselheiro, não gosto de interferir na vida de ninguém. O título em si se justifica pelo fato que sou um humanista por excelência. Acredito no Homem, enquanto 'kosmos' de possibilidades e realizações.

Adoro usar idiomas clássicos (uma das poucas coisas boas que aprendi nos ilusórios e massacrantes anos de seminário - e olha quer foram muitos. E deixaram muita história pra contar). Hoje tenho uma vida espiritual independente de qualquer denominação religiosa.

Aqueles que me visitarem, sempre encontrarão muitas citações de latim e grego. Ainda hoje cultivo com carinho esses idiomas. Por isso o título do blog, bem como a assinatura são em latim. De certa forma, são paráfrases e sátiras a dois textos do magistério eclesiástico que sempre meditei durante esses famosos e memoráveis anos de aprendizado de defesa contra as artes das trevas rsrsrsrs.


Quem sou eu:

Sou advogado de formação acadêmica, mas não exerço diretamente a minha área. Tenho especialização em Direito do Trabalho, mas ainda em fase de conclusão. Carrego juntamente mais duas graduações: filosofia e teologia (adivinha de onde, rsrsrsrs).Trabalho em uma empresa privada. Mas o que gosto mesmo de fazer é criar animais, sou criador de gatos Persas, em suas mais diversas variedades. Por bênção ou maldição, não sei, acabei como uma espécie de Gregor Mendel, só que em vez de ervilhas estudo a genética felina.




Há três anos (pois comecei em 2007) desenvolvo com muita luta - pois criação de animais não é uma atividade para os fracos advirto - um programa de criação que tem atingido ótimos níveis. Essa foto é uma homenagem a uma gatinha que já se foi. O nome dela era Clio. Em homenagem às nove musas de apolo, (que sopram ao homem inspiraçáo para trazer o belo da imortalidade dos deuses ao mundo dos mortais) no caso, a musa da história. Por isso, ela estará sempre presente na história da minha vida.


Já minha vida pessoal há tempos que se encontra muito bem obrigado. Tenho um relacionamento sólido e feliz. Como todos os relacionamentos é cultivado dia-a-dia. As diferenças são perdoadas (espero que sim rsrsrsr), o que é bom é otimizado (espero ainda mais rsrsrsr) e assim vamos caminhando.

Outra de minhas grandes paixões é a música erudita. Desde de criança instintivamente comecei a gostar e aos poucos procurei melhorar meus conhecimentos. É algo que faço com muita humildade e sempre que posso tento aproximar as pessoas desse baú de maravilhas que ainda é desconhecido por tantos. Atualmente, sou exímio visitante de outros blogs desse site, exclusivos dessa temática (depois indico pra vocês).

Encerro hoje por aqui. Com certeza ainda haverá muito a se dizer. Abraços a todos.