Olá queridos leitores.
Atualmente, fico cada dia mais surpreso com a quantidade de documentários na televisão que versam sobre uma possível hecatombe mundial prevista para 21.12.12. No início, procurava assistir alguns apenas para me manter informado sobre o que pensam 'aqueles que não tem o que pensar'.
Entretanto, tanto se proliferou esse tipo de teoria que acabou se tornando monótono e cansativo tais tipos de documentários. Acredito inclusive que, se estivesse ao alcance de tais profetas niilistas tal possibilidade, eles certamente lutariam para que ela lograsse êxito já que aparentemente não obtiveram no restante de suas vidas outra espécie de empreendimento bem sucedido.
Parece fazer parte da humanidade um desejo tão grande pela 'imortalidade material' que o simples fato de uma possível perda desse 'status quo' faz com que cessem todas as idéias razoáveis dando lugar a uma espécie de frenesi apocalíptico (com todo o respeito a esse gênero literário) que nos atira num turbilhão de possibilidades nefandas onde cada um pode sonhar com o tipo de fim mais aprazível (se é que se pode sentir prazer com algo assim).
Isso passa a ser muito visível atualmente, haja vista o grande sucesso das franquias vampirescas nos meios de comunicação. Nada mais do que uma metáfora do ensejo humano pela imortalidade, curiosamente não daquilo que ontologicamente foi criado para ser imortal (nosso espírito), mas do que foi criado justamente para ser efêmero (beleza e vigor físicos e posse de bens materias).
Acredito que por causa dessa inversão da concepção do que realmente deve fenecer em detrimento de outros atributos que devem permanecer, essa geração, assim como os próprios vampiros, é tão infeliz em suas vida mortal-imortal, como o similar conde Fosca, de Simone de Beauvoir, o era. Eles imortalizam o que de pior existe no homem e, não digo matam, porque não o podem, mas ofuscam a luz do que em nós é eterno.
Não sei se influenciado por isso, pois todos o somos um pouco, ou por mero acaso do destino também presenciei tantas conclusões em diversos aspectos da minha vida pessoal, que me veio a mente tentar refletir um pouco sobre essa temática dos finais. Existem finais? Eles são necessários? Existe um depois? Vale a pena pensar nisso?
Fechei, recentemente dois ciclos em minha vida, um relacionamento de quase 4 (quatro) anos e o trabalho numa empresa privada 2 anos e 4 meses. Após passar por isso de forma bastante consciente e controlada (como todo bom jogador de xadrez deve fazer na vida) percebi que os finais existem e devem existir. Eles são portas com as quais concluímos estágios no nosso desenvolvimento pessoal; sendo, imprescindíveis para os novos ciclos que se iniciam.
Cada etapa tem que ser cuidadosamente finalizada, caso contrário a posterior fica comprometida. Acredito que na vida humana em sua plenitude a morte cumpra esse papel de finalização de uma grande jornada, necessária para o início de outra mais incrível ainda. Por isso, nessa é necessário abrir a mente para aprender novos ofícios e libertar o coração para amar outras pessoas. Quando isso acontece conosco faz com que a vida se renove e mostre quão rica é, e como dom precioso para cada um de nós consiste.
A cerca de uns oito dias, recebi a notícia também de que um padre foi suspenso de ordem e se encontra isolado em depressão. Essa pessoa foi minha contemporânea na época do seminário. Ela foi uma das responsáveis por um grande sofrimento e humilhação por que passei. Rezei muito por ele essa semana. Está a experimentar uma das finalizações mais dolorosas que podem existir na vida humana (não que seja má de todo como refletimos acima).
Difícil para mim foi como homem que sou, finito e imperfeito, afastar de todo do meu coração alguma dose de certo prazer por isso. Mas vejo que essa finalização dele também foi positiva para finalizar em mim o que sentia por ele. Ao rezar e pedir a Deus que o console, quando ele mesmo teve a oportunidade de ajudar-me e não o fez, trouxe equilíbrio e harmonia ao meu espírito. O jogo foi empatado.
Muita força meu irmão, que Deus possa ser para ti a maior das suas consolações e enxugue todas as tuas lágrimas. Ele que fica imensamente feliz quando nos voltamos para ele. Já que tal alegria é por Ele comparada ao encontro de uma moeda, ou ovelha perdidas. Tu que na tua missão afastaste dele teu coração paras as coisas que para ti eram proibidas, vê agora como sábio é o salmista quando no adverte que: 'Qui amat periculum in illo peribit'. Portanto, Nele te ampara e Nele permaneça.
Bom domingo a todos.