sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Férias: uma reflexão benevolente.

Olá queridos leitores e amigos!

Já faz algum tempo que não escrevo nada aqui nesse espaço virtual. Pelo título, como podem induzir estou gozando férias, merecidas férias, rsrsrsrs. Aproveito esse tempo livre para alimentar o corpo com muitos exercícios físicos e a mente com muita música de boa qualidade e filmes antigos (adoro os grandes atores e atrizes que ajudaram a escrever a história do cinema, principalmente o saudoso Alfred Hichtcook, grande diretor e 'o homem que sabia filmar'.

Entretanto, durante esse período acabei por lembrar de férias, não minhas, mas de outros que me marcaram muito negativamente. A propósito, acho que ainda não tinha aproveitado o espaço do blog para relatar algumas das minhas antigas lembranças (antigas, mas extremamente ricas em detalhes, pois 'os elefantes jamais esquecem'), principalmente quando feridos.

Como sei que os covardes jamais suportam contemplar suas mentiras e atitudes medíocres, terei, como advogado que sou a prudência e benevolência de não os expor, como fraudes que são e que deveriam ser expostos. Dessa forma, omitirei quaisquer detalhes passíveis de expor 'a dignidade dos indignos'. Mas acho que apreciarão a leitura.

Como falei no primeiro post fui seminarista durante o período de 7 longos e difíceis anos. Vou relatar um dos fatos que hoje recordei e que fiquei a refletir. Lá vai ...

Estávamos no final da década de noventa (ano prudentemente omitido a fim de poupar neuróticos), mas especificamente na alta estação para os europeus - porque para nós era um período absolutamente normal de trabalho. Havia muita correria na casa de formação, pois estaríamos recebendo naqueles dias a visita do novo padre provincial. Muita comida sendo comprada (e não qualquer comida, pois de acordo com o reitor eles só comem comida 'boa e bem feita' sua pobreza não é brasileira, mas sim equânime ao seu país de origem (prudentemente omitido a fim de se evitar paranóias). Muitas instruções para a cozinheira, sem falar para nós, os formandos, ensaios de salmos (que geralmente nunca saiam bem cantados, mas quando aparecia esse tipo de visita tínhamos que ensaiar até a exaustão para cantar direito), limpeza redobrada de todo o ambiente da casa de formação; e tudo isso debaixo de críticas perenes do superior, um cara super esnobe (que nasceu pobre e depois ficou besta) que passava o dia sentado numa mesa estudando (fazendo faculdade privada, paga pela Igreja) e fazendo os outros marcharem.

Bem, mas continuemos com nossas santas férias: chegam nossos convivas, sim, pois eram dois, um sempre anda com o outro, no princípio pensava que era uma atitude nobre de alguém que teria vindo ocasionalmente para ajudar o amigo que não dominava o português ainda. Posteriormente descobri que o provincial anterior viaja em todas as 'visitas' que o novo superior fazia justamente para fazer política e comprar o apoio das outras casas com presentinhos tipo um novo portão, uma máquina de xerox, ..., tiro o meu chapéu, pois ele obteve sucesso em sua empreitada, pois posteriormente voltou a ser provincial. Na realidade ele deveria ser padre providencial, essa denominação seria mais correta.

Sempre muito simpáticos, muito falantes (esse é outro ponto interessante, os mais antigos fizeram seus estudos na europa, lá chegando aprenderam novos idiomas, fizeram novas 'amizades', em seguida voltaram ao Brasil para assumir cargos superiores de responsabilidade. Os outros, que vieram a ser fisgados não estudavam fora. "Não, lá fora não é bom, é outra cultura, sofremos muito lá, ..." eles nos diziam. Engraçado, quando os outros chegavam, os figurões, eles manipulavam as conversas (faziam o lobby mesmo) enquanto ficávamos como um bando de nativos burros olhando e sem entender nada. Até na mesa, o que eu achava uma falta de educação e uma humilhação). Se pedíamos uma oportunidade para estudar fora, eles diziam não, um dia vocês irão também, mas apenas para fazer um curso de três meses que sempre fazem lá. Amigos, eles encontraram as portas abertas e quando se fizeram fecharam para os demais, medo da concorrência talvez.

O mais engraçado (se é que esse tipo de coisa pode ter alguma graça) é que durante o período das visitas as funções deles se limitavam a ir para o Beach Park (amigos eu ainda hoje nunca fui a esse lugar, é caro, muito caro mesmo, pelo menos para quem vive de salário mínimo no Brasil), visitar famílias abastadas que preparavam suntuosos banquetes, recebendo em troca um punhado de bugingangas ordinárias que eles traziam consigo (coisa tipo metrópole-colônia). E sem falar num ponto mais delicado ainda. O pessoal do estrangeiro ainda tem um costume de mandar gordas doações (em moeda estrangeira) para que se celebrem missas para seus parentes. Dessa forma Jambo e Ruivão (é melhor criar um apelidro para deixar a coisa mais fofinha) traziam uma boa quantia desse tipo de espórtula. Amigos teologicamente qualquer missa celebrada todos os dias já traz a intenção de todos os fiéis falecidos, e, embora esse tipo de prática, teologicamente sem sentido ainda seja incentivada hoje, eu nunca vi esses nomes serem colocados para nós (já que ele trazia uma lista com os nomes escritos). Eles os chamam de benfeitores. Ora, quer dizer que o objetivo é 'traficar o nome de fiéis'? Eles não podem rezar por lá não rsrsrsrs? Pra que esse dinheiro então era doado para nós?

E pra finalizar ainda faltam as fotos. Nós éramos fotografados direto por eles em todos os momentos, principalmente enquanto realizávamos algum trabalho manual. Eles usavam a imagem da gente pra angariar madrinhas e padrinhos estrangeiros pra bancar nossos estudos (Meu Deus, que vergonha, quanta gente boa no Brasil não tem acesso a estudo e a gente estudando por conta dos outros. Quando poderíamos trabalhar para isso, seria até melhor, já que quando saíssemos, por desistência espontânea ou forçada, não ficaríamos devendo nada a ninguém e já poderíamos continuar em nossos empregos e não passar necessidade pra entrar no mercado de trabalho). E nós éramos proibidos de saber quem eram. Somente se nos ordenássemos (por medida de segurança talvez). Agora me pergunto e quando desistíamos ou éramos expulsos será que essas pessoas eram avisadas? Ou continuavam com o afilhado virtual? Vejam isso é só especulação, pode ser que eles agissem direito, eu espero que sim pelo menos nesse aspecto. Caso contrário Deus tenha piedade da alma deles.

Essas férias aconteciam duas vezes por ano. Não vi nunca esse pessoal visitar uma favela. Nem fazer confissões ou atendimentos espirituais aos fiéis mais humildes. Gostaria de ter visto algo diferente, ou uma missão popular. Naquela época, infelizmente fui conivente, pois não questionei, achava que eles tinham direito em fazer isso porque eram melhores que nos. Até o dia em que quase tive minha vida e de minha família destruída por essas pessoas. Então vi que lidava com pessoas muito perigosas mesmo. Capazes de tudo para manter uma aparência etérea.

Que bom que hoje vivo férias bem mais saudáveis que essas. Aproveitem a de vocês meus amigos também. Principalmente para refletir, e pensar, esse nosso mundo só se encontra assim porque o homem tem esquecido de pensar e escutar. Um abraço e até a próxima.