Ontem, um dos meus colegas de seminário, conversando rapidamente (novidade) comigo, elogiou minha postagem que contém uma reflexão sobre as visitas de superiores religiosos. Disse ele ser bom que as pessoas emitam suas visões a respeito de determinadas posições e apresentem também sugestões tal como fiz. Gostaria de agradecer pelo comentário ao vivo. Nas próximas visitas, tanto suas como de outros amigos, gostaria de ver algum comentário escrito; pois, assim, poderei direcionar melhor o meu trabalho. Dificilmente tenho tempo para escrever.
Atualmente, observando o caminho seguido pelos blogs mais visitados na internet (inclusive por mim mesmo) percebo que sempre procuramos neles alguma coisa que possamos ficar para nós. Sejam coleções de cds de música erudita, ou filmes antigos, seriados, ... Todos buscamos alguma coisa que possamos guardar de certa forma como integrante da nossa individualidade e a ela preciosa.
Fico feliz de certa forma, pois como não ofereço nenhum brinde que possa ser 'baixado' é bom saber que somos visitados. Ontem mesmo recebi outra visita, essa mais pessoal. Uma equipe de uma emissora local veio fazer uma matéria sobre a minha criação de animais. Ela deverá ser exibida em breve. Quando souber a data colocarei com mais detalhes para que possam participar da minha alegria em ver meu trabalho reconhecido e divulgado na mídia.
Seria bom, que as pessoas cultivassem mais em nosso mundo o hábito de visitar uns aos outros. Não falo de visitar por visitar, nem das famosas 'visitas de médico' mas sim naquela forma especial de encontro-reencontro em que sentimos que alguém participa da nossa intimidade, através da simpatia, aceitação, cumplicidade.
Sempre procuro escrever com responsabilidade nesse blog, a fim de não cometer impropriedades, sejam elas literárias ou mesmo de caráter. No pouco tempo de vida que tenho, testemunhei muita coisa mesmo. Nem todos ficaram felizes em ver essas lembranças publicadas aqui. Acho que por isso escrevo pouco, pois procuro deixar que apenas alguns momentos apareçam, é melhor e menos doloroso que assim seja. Entretanto, advirto, para aqueles que entenderem tudo aqui está escrito.
Vou encerrar falando justamente sobre o tema que surgiu hoje 'visitas'.
Geralmente, sou visitado com muita regularidade pelos amantes da gatofilia, ou por clientes que desejam adquirir um filhote para criar. Alguns amigos, os de verdade, descobrem formas curiosas, físicas e metafísicas de sempre estar presente em nossas vidas. Os falsos amigos procuram imitar; porém, quando diante de pessoas com personalidade, e inteligência suficiente, não conseguem esconder o seu embuste.
Quando tomava conta do rebanho a mim destinado, numa pequena comunidade do interior cearense cheguei a visitar regularmente cerca de 36 pessoas enfermas. Lembro-me de que na realidade elas é que me visitavam, pois tinham tanta vida interior, tanta riqueza humana que completavam muito do meu estéril coração, alimentado somente pela doutrina dos santos estéreis. Eu me alimentava de sua fé, de sua alegria, da riqueza de suas vidas e tentava retribuir escutando, contando anedotas e oferecendo um pouco de mim mesmo. Não gostava muito de doutriná-los ou rezar com eles, isso eles sabiam fazer melhor do que eu.
Ao me achar fora da 'sombra da salvação' (pois acredito que a glória reservada ao homem por Deus seja bem mais clara do que me mostraram os mestres do mistério) sempre senti em meu coração a visita constante daquelas 36 pessoas, a me confortar e dar esperança de uma vida melhor. Daquelas pessoas, que, mesmo sabendo que não haveria mais retorno, conseguiam agradecer o dom da vida e sorrir para ela. Elas me visitam todos os dias. Já 'os outros', vamos dizer que bienalmente um ou no máximo dois realizam um check up afetivo (usando um termo mais técnico-pastoral, uma desobriga).
Eu compreendo, perfeita e sinceramente, pois não se pode dar aquilo que não se tem, e como o bardo imortal Shakespeare nos diz pela boca do Rei Lear 'Nada virá do nada'. Seria, portanto, no mínimo quixotesco esperar que criaturas forjadas sob a doutrina acrisolada do incauto Papa Bento XVI - que, pasmem, inaugurou seu pontificado com uma encíclica sobre o amor (ninguém pode negar que o diabo não tenha senso de humor) - fossem capaz de atitudes diversas.
Acho até que me excedi um pouco, rsrsrsr, mas alguém com o coração fecundo de amor como ele saberá perdoar. Afinal, temos duas coisas em comum, duas paixões que movem nossas vidas, caso ele não saiba, criamos gatos e tocamos piano. Como falei anteriormente o senso de humor do diabo é deveras surpreendente, rsrsrsr.
Um abraço a todos os visitantes. Voltem mais vezes.